terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sobreposto


Creio que foi  em Junho, Julho, em Agosto, 
ou será que em todos eles?
Olhei e vi o homem que cuidava de mim
sim, ele cuida de mim.
Seu sorriso
Sua forma de olhar tinha mudado
alguma coisa despertou e 
somos acrescentados ao outono
dos enamorados, dos que brincam sem
malícia, com suave malícia sim 
Ah a sensação de que nunca, nunca mais
poderíamos deixar de nos conectarmos, 
todos os dias, 
tantas as vezes ao dia.
Que jamais romperíamos a cumplicidade secreta, 
ou quase secreta, não romperemos,
apenas deixamos de achar 
que respiramos todos os dias as palavras sobrepostas, 
as vontades sobrepostas, o perfume sobreposto 
e o beijo nos lábios sobrepostos 
Apenas uma vez.
Um abismo se fez diante de tanta ternura, de curiosidade e desejo 
um abismo que entre vales e montanhas
estabelecerá  o eterno, o sonho, 
a ficção, a matéria, a esperança, a luz e a vida!
Ninguém saberá, ninguém verá.
Nem salas cheias, nem filas de espera,
 à espera  de tudo que talvez não venha.
Sem corredores, sem a janela.
Adormecer entrelaçados no tempo, na imensidão, 
na dimensão proporcional aos nossos
gestos  tão separados e tão sobrepostos .
Por onde fomos, por onde andamos, 
por onde andarmos,
Ele cuidará de mim.

SP 06 de Dezembro de 2010
Claudia Diniz

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